A Diferença Entre Profissão do Futuro e Profissão Inovadora

Um dos produtores do “Brasil das Gerais” da Rede Minas, está fazendo um programa sobre profissões do futuro. Pelo que entendi, haverá um debate, o qual foi inspirado no lançamento do livro de um professor da UFMG, que trata do tema.

Por coincidência fui ao debate sobre “Profissões do Futuro” realizado na UFMG, em que o professor palestrou. Aí veio o Cláudio Henrique, que é o produtor do “Brasil das Gerais” e leu meu texto sobre o que eu pensei do debate. Ele se interessou. Ele me contactou em sua pesquisa “pré-programa”, para saber um pouco mais a respeito do assunto preparar um bom debate.

Uma das perguntas dele foi: qual a minha profissão. A que respondi que é justamente este um dos problemas das profissões do futuro: não têm nome. Se for pra citar o que faço sou ao mesmo tempo webdesign, web developer, webmaster, web programmer, SEO, administrador, administrador e gerente de blogs e outros projetos, desenvolvedor de softwares… enfim sou uma empresa de web num homem só. E acho que está aí a grande diferença de “profissão do futuro” para “profissão inovadora”.

A profissão inovadora quebra paradigmas. Se preocupa com todos os aspectos sociais, desde o educacional até econômico. Caso contrário de futuro ela tem só a data. Por exemplo, se um webdesign não modifica seu meio, ele está inovando tanto quanto alguém que trabalha como sapateiro ou alfaiate, que são profissões milenares.

Eu sou um profissional do futuro porque sei da mudança e das vantagens que a Internet proporciona como um modificador social e não apenas como nova tecnologia em si. Como profissional do futuro eu não preciso me preocupar com chefe, não preciso me preocupar onde moro, nem com horários, nem com o sistema tradicional que me cerca. Posso até me preocupar, mas se eu fosse segui-lo até hoje minhas idéias não teriam saído do papel.

A mudança que a Internet propicia é tanta que eu gosto de comparar a atual geração de programadores de softwares livres e as pessoas da “tribo digital” aos esperançosos protestantes políticos dos anos setenta, quando a ditadura era pesada e despontava uma certa esperança no comunismo. Com o fracasso do modelo comunista eu diria que algumas pessoas ficaram a ver navios, algumas até com uma certa nostalgia. Vejo que a Revolução Digital está aí para oferecer um novo ideal aos que querem continuar lutando. E é aí que entram as profissões do futuro!

Já foi até capa da “Época Negócios” da primeira quinzena de novembro de 2008: Bill Gates convoca empresários para ganhar dinheiro ajudando pessoas. Não estou dizendo que ele faz isso porque é bonzinho ou qualquer outra coisa, é porque realmente dá dinheiro, e muito. Imagine se a cada pessoa que te pedisse ajuda você ganhasse 50 centavos. No início seria pouco, mas a cada vez que você ficasse conhecido e mais e mais pessoas saíssem satisfeitas com sua ajuda, mais 50 centavos vezes alguma coisa você ganharia. Mas será que alguém pagaria 50 centavos para você ajudá-la? Não sei, mas vamos supôr que você tivesse uma barraquinha de ajuda em plena Afonso Pena. Por dia você ajudaria umas duzentas mil pessoas. Com certeza algum patrocinador iria querer colocar um banner em cima de sua loja. É aí que está a quebra de paradigma da parada! A Internet possibilitou oferecer serviços gratuitos e ganhar dinheiro com publicidade, assim como os meios tradicionais de comunicação fazem, eu sei, mas, a Internet oferece muito mais serviços, não é só informação como os jornais.

Depois que alguns empresários notaram este modelo de negócios que surgiu na Internet, começaram a se perguntar se não teria como implantar este modelo de negócios no mundo offline. Foi daí que surgiu as idéia do Bill Gates para ganhar dinheiro ajudando os pobres. Vamos supor que você tenha um site que oferece determinado serviço. Este serviço gera uma audiência de 5 milhões de pessoas por dia. Você procura um patrocinador e pergunta se ele não quer patrocinar o seu site com 200 mil reais por mês e promete que um terço desta grana irá patrocinar ONGs na África. Estas ONGs irão oferecer cursos de internet para pessoas carentes que irão usar cada vez mais os serviços de seu Blog. Ao mesmo tempo os usuários antigos que ficarão sabendo que um terço da grana vai para projetos para ajudar pessoas carentes, irão entrar cada vez mais no seu site e irão fazer propaganda. O site passará a representar uma causa. E a propaganda na verdade será um valor moral. Aí cada site ou empresa esolhe o valor que ela quer patrocinar, moral, econômico ou simplesmente uma praça (tipo: você patrocina o meu site e metade da grana vai pra fazer a praça). Um exemplo de publicidade inovadora é o fato do GRANNEL (um bar famoso aqui de BH) ter patrocinado aquela pracinha do Bairro Coração Eucarístico, a praça é em frente ao bar. Ao mesmo tempo que melhorou o ambiente e chamou mais pessoas, melhorou também a imagem que a galera tem do GRANNEL. As profissões do futuro são assim. Leva-se em conta tudo, ganha-se dinheiro em coisas não tradicionais, preocupa-se com desenvolvimento sustentável e ainda ajuda a comunidade.

Infelizmente ainda não vi quase nenhum teórico ou acadêmico que abordasse o tema com a seriedade que ele merece. Até agora a maioria dos que se dizem entendidos do assunto são mestrandos e doutorandos em “convergência digital”, que nunca tiveram um blog na vida e que até hoje acreditam em televisão digital.

Além das questões que citei que uma profissão tem que levar em conta para ser considerada inovadora, ela tem também que ver as coisas como que um lego. Lembro de uma entrevista que li com uma das funcionários do mexicano bilionário Slim. Ela disse pra ele, numa reunião, que não estavam vendendo na Internet porque o povo não tinha computador. Aí ele retrucou: então vamos vender computador. A logística entrou na questão: _Mas como senhor slim? Nem temos loja. _Ué somos donos de quase toda o sistema telefônico no país, então vamos vender o PC pela conta de telefone, dividido em não sei quantas vezes.

Não tem como ser inovador sem ser um pouco empreendedor ou administrador, se não você será apenas um funcionário que faz uma coisa nova, que aperta um botão que antes ninguém apertava, e que agora a máquina do mercado está exigindo que se aperte mais este botão.

Na área de web ter consciência de que as coisas funcionam como um lego é saber que atualmente o design, a estrutura e o conteúdo de qualquer meio de comunicação podem passar a ser vistos como coisas separadas. E é isto que possibilita o surgimento de novas profissões. Quando se enxerga a imagem separada do áudio pode-se transmitir apenas o vídeo e deixar que o telespectador escolha quem será seu novo Galvão. O cara que você escolher, seu locutor, pode ser qualquer um que tiver um pc com um microfone e uma internet boa. Ele ganhará dinheiro também com publicidade. A dona de casa que nunca ganhou dinheiro pelos bolos deliciosos que fez durante toda a vida para seus filhos, agora pode lucrar colocando a receita em seu blog, o vídeo no youtube ou no metacafe, ela será uma espécie de Ana Maria Braga.

A profissão do futuro não leva em conta déficit de mercado ou o maior salário. Se você pensou numa coisa que gosta muito de fazer e conseguiu ganhar dinheiro com ela, você é um profissional do futuro. Antigamente isto era mais difícil, mas agora com a Internet, está ao alcance de qualquer um!

Publicado por

Diego Lopes

Graduado em admnistração pela UFV, atua na como coordenador de projetos web há mais de dez anos. Já trabalhou em 3 empresas no Vale do Silício e gerenciou mais de 1 milhão no Google Adwords e 100 mil dólares no Facebook.

5 comentários sobre “A Diferença Entre Profissão do Futuro e Profissão Inovadora”

  1. Artigo muito bom e inteligente.Realmente o que vemos é isso acontecer com quem pode explorar suas ideias e colocalas em pratica atraves da Internet.
    Parabens e felicidades.

  2. Diego, valeu pela participação no programa “Brasil das Gerais”. Com certeza vamos continuar a discussão e ainda te trarei para o estúdio, ok?
    Abs e sorte na carreira.
    Cláudio

  3. Vlw cara, e parabéns pelo programa e pela edição do meu depoimento, achei que vcs escolheram direitinho… qt a ir no estúdio eu adoraria…
    Mas acabou que em Ipatinga não passou o programa, eu liguei pra Rede Minas e me falaram que talvez fosse problema lá, aí meu pai procurou saber e falaram pra ele que é porque a TV Cultura que escolhe o que vai passar como bem entender… aí acabou que nós não conseguimos gravar… sabe se tem alguma reprise?

  4. Bom, Diego em primeiro gostarai de parabeniza-lo pelo seu texto, sendo em si bem extenso mas com grande intuito que nos leva a um grande conceito sobre o esclarecimento nao só do profissional inovador, do futuro mas tambem a profissao futura.
    Seu texto me foide grande ajuda abrigado …

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